Facebook v.s. Microsoft: quem ganha a corrida das comunidades?

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Facebook v.s. Microsoft: quem ganha a corrida das comunidades?

A missão do FB sempre foi bem direta.

“Tornar o mundo mais aberto e conectado” disse Mark Zuckerberg.

Com mais de 2 bilhões de usuários zumbis (porque é nisso no que estão se convertendo as pessoas que não sabem usar as redes sociais) não é possível falar que a empresa falhou em sua missão, mas o resultado disso não foi exatamente positivo já que o planeta está cada vez mais dividido, com vários estudos apontando que a polarização foi agravada pela “bolha” criada pela rede social. Assim, Zuckerberg decidiu criar uma nova missão mais ESG (palavrinha da moda), ou mais green (wash).

Ok, missão mais ética e responsável.

O lance agora é apostar nas comunidades com os grupos do Facebook somados à sua nova missão inspiradora, transformadora e massiva: “trazer o mundo mais perto e unido”.

Está funcionando bem!


Por outro lado, Bill Gates, acusado de roubar ideias ao melhor estilo MarkZuck, criou a Microsoft algumas décadas atrás liderando o mercado de sistemas operacionais com o software mais usado do mundo: o excel.

Digamos que todo ser humano adulto - uma bola leva dos 7 bilhões de pessoas no mundo - usa ou já usou uma planilha de excel para fazer uma simples soma e/ou organizar dados. Você ainda não usou? Eu duvido.

Atenção aqui: Os bilhões de usuários destas duas empresas monstruosas (Facebook tem 2 bi) precisam se comunicar, seja de maneira pessoal ou profissional. Tá me acompanhando?


Plataformas de comunicação, redes sociais ou comunidade?


Eles usam Whatsapp, Discord, Teams, Skype, Messenger, Grupos de FB, Linkedin, Instagram ou Github. Wow, deixa eu respirar aqui. Todas estas empresas são das próprias Microsoft ou Facebook, certo?

Uhu!! Que estratégia magnífica.

Há alguns anos, a Microsoft liderava o ranking das aquisições mais caras da história comprando o Github (o “Linkedin dos devs") por U$S 7.5 bilhões junto com a compra do Skype, entre outras.

Com a compra da Github, ficou claro que a Microsoft queria estar de olho no mercado de desenvolvedores, códigos abertos e uma plataforma de comunidades poderosa.


O futuro chegou


Após um ano fracassado querendo adquirir o TikTok e Pinterest, a Microsoft está negociando a compra do Discord, o concorrente do Slack. O app dos Discord tem 140 milhões de usuários ativos mensais (MAU) ao redor do mundo e obteve receita de U$S 130 milhões no ano passado, segundo o Wall Street Journal.

Por outro lado, o tio Mark escuta tudo no Instagram e vive das publicidades. Ele coleta informações dos grupos de Facebook, Whatsapp e Instagram e joga tudo na lavadora de dados para depois secar tudo numa inteligência monstruosa para sermos bombardeados com “o que nos interessa”.

Todos sabemos e aceitamos isso há muitos anos. Privacidade já era. Assumimos isso. Pronto.

Agora, quem vai ganhar a guerra das comunidades?

Quem será o melhor Community Manager?

Mark ou Bill?


Aproveitando, você sabe como contratar um Community Manager?

 

Pra terminar: vale lembrar que Bill é dono do Linkedin também. E o que é o Linkedin senão uma boa plataforma de comunidades?


“Criação, creation, criación - os próximos 10 anos serão tanto sobre criação quanto sobre consumo e sobre a comunidade ao seu redor, então não é criar sozinho”, disse o CEO da Microsoft, Satya Nadella, em entrevista à Bloomberg no mês passado.

Nadella rapidamente se concentrou em criadores e comunidades no primeiro ano como CEO da Microsoft. Uma de suas primeiras grandes aquisições foi a Mojang, o estúdio por trás do Minecraft com seus milhões de fãs devotos.

Existem outras ambições por trás, como tirar todas essas plataformas dos servidores da AWS e do Google para levar para o Azure. Mucho dinheiro aqui. Isso porque nem falamos do mercado dos gamers e e-sports com o X-Box e Discord juntos. Já pensou?

Ficou claro que não foi o Bill. A visão é do tal Nadella (se este cara fosse brasileiro, já imaginou o bullying, né?)

E o Mark, para onde ele vai?


Como já comentei em vários vídeos, posts no Linkedin e Telegram, o foco é nas comunidades e nos vendedores, ou seja, o varejo.

Whatsapp é o canal brasileiro por excelência de vendas, atendimento e CS. Não concorda? Nas terras da cana de açúcar é o verdinho que domina!

E se te falo que a última aquisição do FB foi um CRM, você acredita que ele está focando em consumidores e comunidades?


O futuro do varejo

O futuro do varejo está nas comunidades. No Social Commerce. Veja só os exemplos da China, Peru, Colombia e Brasil.

Não sabia??

Sim, No Brasil tem a Favo e a Muni (de onde você acha que vem esses dois nomes?). Pense e pesquise ou veja aqui embaixo.

Minha aposta: O Facebook precisa criar uma ferramenta de monetização nos grupos. Lá tem muito din din. 

O Telegram, concorrente do verdinho, anunciou uma plataforma de pagamentos para 2021. Eu aposto que chega este ano e o Mark vai querer comprar. Apostamos? Também aposto que o Durov não vai querer vender.

Olha que nem falei ainda sobre o SalesForce, que comprou o Slack. Ou a Uber, que é o pior exemplo global de gestão de comunidades e está querendo tentar algo no varejo.

Ou a Magalu, que vai comprar a CM School (kkkk já imaginou?). Sim, porque é aqui que está a próxima geração de líderes de comunidade.

Grave isto:

O Community Manager será o novo CoCEO. O COO fica na operação e o CM deve olhar a estratégia junto com o CEO.

Os novos modelos de negócios vão ganhar escala e valor com as suas comunidades de clientes e fornecedores. Pelo menos até 2030.

 

Hasta luego!

 

Emiliano Agazzoni
Emiliano é especialista em estratégias para comunidades e desenvolveu o primeiro curso e workshop sobre estratégias de comunidades do Brasil.

 

 

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