Valores humanos, gerações e gestão de comunidades

cultura estratégia gestão planejamento
Valores humanos, gerações e gestão de comunidades

Assim como um pequeno povoado nas serras do sul de Minas, um grupo esportivo no clube ou colegas numa grande empresa, todos são de alguma maneira uma mini sociedade. E toda mini sociedade precisa de valores e regras bem definidas. É hora de falar sobre estes valores e como eles mudam de acordo com as gerações.


Para começar, vamos ao conceito do que são valores.

Como no campo da psicologia, os valores referem-se a crenças abstratas, emocionalmente valiosas e de ordem superior que existem ao longo de níveis de importância e orientam atitudes e comportamentos mais específicos (Rokeach, 1973; Schwartz, 1992).

Três implicações desta definição são:

1) os valores têm uma dimensão emocional e cognitiva,

2) existem muitos tipos de valores e variações na importância que as pessoas atribuem a eles e,

3) os valores são relevantes para compreender as atitudes das pessoas assim como suas ações.

Os valores não podem ser observados diretamente. Em vez disso, eles se tornam evidentes nas ações que expressam as preferências das pessoas em um determinado contexto sociocultural e temporal.

Observar e dar uma opinião sobre as preferências dos colegas é uma demonstração de como a dimensão emocional e a compreensão das atitudes passa pela questão de valores percebidas da sociedade.

Sobre o contexto sociocultural e temporal, temos as opiniões da geração Z sobre os Millennials no twitter da Carol Rocha.

Numa comunidade, assim como uma pequena sociedade, os valores são muito importantes para unir, gerar empatia e construir em conjunto.

O Community Manager deve identificar quais são os valores em comum dentro da comunidade e administrá-los a seu favor.

Os membros da comunidade já carregam valores pré-definidos que podem estar em sincronia ou não com os valores da comunidade. O próprio membro decide se irá absorver e se apropriar desse novo valor para se manter na comunidade.

Quando falamos de valores, falamos de cultura, subcultura e dinâmicas de grupo.

 

 

Em comunidade de grandes empresas, a cultura se identifica como uma só, mas é muito importante lembrar que há subculturas em diferentes grupos de interesse, ou, como costumamos chamar, nas pequenas comunidades internas.

O gerenciamento destes valores vão definir o sucesso da comunidade. Praticamente nenhum membro está disposto a conviver com valores com os quais ele não se identifica.

Definir, lembrar, demostrar com exemplos a importância dos valores da comunidade é um ato religioso e semanal dos Community Managers para manter a cultura da comunidade coesa e estável. No fim, ele ganha um elevado engajamento e uma forte identidade.


A diversidade de gerações nos grupos


Começando pelas mais novos, os da geração Z.

Eles compreendem o grupo de pessoas nascidas a partir de 1995.

Cresceram junto com o boom das ponto.com e interagem com o mundo integrando todas as formas de tecnologia que tem disponíveis por aí.

Para este grupo tão característico, a visão sequencial do tempo é substituída pela visão paralela do tempo, em que é a realidade é simultânea e é possível realizar várias atividades ao mesmo tempo, acessar várias realidades, participar de diversos grupos (Mundo Educação, UOL).

Eles são:

- Práticos.

- Realistas.

- Tolerantes.

- Ativistas (similares à bisa deles que nos anos '60 participava do movimento feminista).

- Avessos a rótulos.

- Adeptos da acessibilidade e simplicidade.

- Desejosos de construir um mundo melhor (como todo jovem, já vai passar).

- Ansiosos.


No trabalho, são bem diferentes dos demais.

A facilidade de comunicação e distribuição de informação impacta no comportamento deste grupo e suas expectativas no mundo laboral.

Buscam trabalhar em empresas com perfil semelhante ao seu ambiente pessoal: interatividade, fluidez e autonomia aliadas à tecnologia.


Imaginemos que na sua comunidade também há membros Millennials ou Geração do Milênio. Você, Community Manager, precisa entendê-lo.

Os Millennials são aqueles nascidos entre 1980 e 1994 que gostam de Friends, Seinfeld, Star Wars, pagam boletos, praticam skate. Alguns ainda gostam de rock californiano e grunge.

Eles gostam de equilibrar a vida pessoal com o trabalho. Não querem ser workaholics como os da geração anterior. Além do sucesso no trabalho, eles querem ter tempo para estar com a família e os amigos para curtir e se divertir. Por isso que esta geração viaja muito mais durante o ano do que ficar 15 dias ou 1 mês fora por ano.

Veja mais algumas características:

- Ambiciosos.

- São mais exigentes.

- Mudam constantemente.

Enquanto eles se preocupam com a ecologia e sustentabilidade, os da geração Z colocam a ética acima de tudo. A questão ambiental e justiça social devem ser obrigatórias.

 


Quer saber mais sobre marketing de comunidade? Veja este artigo completo



Cultura empresarial, valor e comunidade


Nós, seres humanos, carregamos nossos valores para todos os lados.

Levamos eles juntos conosco para o trabalho, para o bar com os amigues, para o encontro com os colegas do colégio ou para as reunião familiares.

Quando falamos de cultura e valores de empresas, é uns dos pontos mais discutidos ultimamente. Transformação cultural, equipes e liderança. Você já ouviu também?

Se as pessoas carregam seus valores pessoais para o trabalho, qual é o desafio das grandes corporações na hora de criar e manter uma cultura própria e construir uma identidade?

Pelo que ouvi, isso está mudando, porque as gerações mudam, os tempos mudam, a economia muda e as exigências são outras no mundo cada dia mais digital e agilizado.

As grandes empresas precisam fomentar a gestão de comunidades internas porque a cultura é grande demais. Tanto em tamanho quanto em diversidade.

Não existe uma cultura única. Existem processos e protocolos únicos que acabam definindo aquela determinada cultura.

Os subgrupos são os que fomentam a diversidade e criatividade dentro de uma empresa. Como os Community Managers podem gerenciar essa diversidade valores para alcançar o propósito da empresa.

Inovação aberta, grupos externos e ecossistemas de cidades é um passo a mais na gestão da inovação e cultura das empresas.


Se quiser saber mais tem um artigo bem legal do Matheus, da Rio Sul Valley, sobre o assunto.



Valores, Cultura e Comunidades


Vimos até aqui que as pessoas carregam valores pré-definidos e uma vez dentro de outro grupo como uma empresa, um comunidade de um bairro ou subgrupo/cultura dentro de uma grande empresa, existe uma adaptação e encaixe mas não sempre funciona tão facilmente.

É função do Community Manager alinhar expectativas, definir valores e reforçá-los o tempo todo em rituais, eventos e ativações da comunidade.

No final, novos membros podem entrar porque gostam da comunidade e de seus valores, assim como outros podem sair porque já não estão unidos em torno do propósito e do comportamento deste grupo.

Identidade e cultura é tudo.

Valores são parte desse todo.

Comunidade é um espaço para tangibilizar os valores e fortalecer a cultura das pessoas.

 

Emiliano Agazzoni
Emiliano é especialista em estratégias para comunidades e desenvolveu o primeiro curso e workshop sobre estratégias de comunidades do Brasil.

 

Receba nossa newsletter semanal